Uma resposta a “entrevista” do Expresso ao Rui de Carvalho Oliveira @ogyenkun #OKC

Da entrevista do Expresso : Portugueses denunciam abusos de guru belga

Ficam os meus commentários entre as linhas.

3 PERGUNTAS A RUI DE CARVALHO OLIVEIRA

(Dirigente da casa-mãe da Ogyen Kunzang Chöling)

Robert Spatz foi condenado por abusos sexuais. O que pensa disto? (respostas da OKC)

A sentença do senhor Spatz traduziu-se numa pena suspensa relativamente à prisão e às indemnizações no valor acima de um milhão de euros. Relativamente às acusações feitas à OKC, o tribunal deu como provados alguns factos, aos quais não aplicou nenhuma sanção e, por conseguinte, não há multa para pagar. No entanto, a OKC não se conformando com esta decisão, que considera surpreendente e que não teve em consideração as explicações dadas pela defesa, irá em breve decidir se opta por interpor recurso.

Resposta do Ricardo : 

Ora, as explicações dadas pela defesa são elas mesmas baseadas numa mentira. Uma mentira que, durante os últimos 20 anos, foi útil à defesa do Spatz e da OKC mas que hoje vai acabar :

Em 1997 quando ouve os inquéritos no sul da França em Nyima-Dzong, as crianças que estavam e que foram interrogadas tinham entre 8 e 11 anos, algumas menos do que isso.

Além da pouca idade, viviam fechadas no Mosteiro, visitavam os seus pais uma ou duas vezes por ano, e a maioria nem sequer tinha um familiar perto. A única vida que conheciam era aquela e mais nenhuma. Não tinham absolutamente NADA para comparar, pois desconheciam qualquer referência para poderem fazer uma comparação com a “vida normal”.

Portanto quando 200 carros e helicópteros dos militares chegaram no Mosteiro de Nyima-Dzong as crianças foram interrogadas (sem a presença dos pais ou de qualquer adulto) por supostos especialistas psicológicos e afins para determinar se as crianças estavam a sofrer maus tratos etc..E estando estas crianças completamente condicionadas, o resultado foi evidente: as crianças contaram aquilo que a polícia queria ouvir, nunca falaram de maus tratos físicos, nunca falaram de privação de comida, nem de “responsáveis” brutais e sem o mínimo de pedagogia para educar crianças.

Resultado? O Mosteiro de Nyima-Dzong foi julgado pelo inquérito Francês como sendo “um lugar privilegiado” para a educação das crianças e até o modelo escolar foi descrito como detentor de melhores notas escolares do que as do sistema escolar francês. Muito bom para a OKC, muito errado e viciado para as partes civis.

Outro detalhe e que muda tudo sobre o resultado desse inquérito é o facto de nunca se ter interrogado a geração mais velha acerca dos maus tratos, nem sobre os abusos sexuais sofridos por parte das raparigas desta geração. Nem se abordou o facto de Bernard, do FM ou do Andres serem todos responsáveis por maus tratos e, no caso de Bernard, também de abusos sexuais. Todos foram protegidos pelo Spatz e pela comunidade indirectamente até que o Bernard foi convidado a voltar para Nyima-Dzong, local onde abusou sexualmente de raparigas enquanto ainda viviam no Mosteiro meninas menores de idade.

A geração que devia ter sido interrogada, esteve refém em Portugal, de 1993 até 97 (ano dos inquéritos europeus sobre a OKC e o Spatz). Quando a polícia Portuguesa chegou ao Mosteiro no Algarve encontrou um grupo de jovens que quase nunca tinha contactado com “o exterior”, que aos 16 anos deixaram a escola secundária e que  passavam muito mais tempo a rezar e a praticar artes marciais do que a aprender qualquer coisa de útil para a sua vida. A polícia Portuguesa também não fez muitos esforços para compreender o que tinha em frente dos olhos : crianças condicionadas, jovens adolescentes que não tinham nenhum ponto de referência para comparar o que tinham vivido com a realidade de outras crianças em Portugal, França ou Bélgica.

O facto é que os dados mais importantes do inquérito tanto em França como em Portugal e Espanha nunca foram encontrados pelos interrogadores, muito menos pela Polícia. O resultado é que nunca foram reconhecidos os maus tratos e os abusos sexuais sofridos por duas gerações e, como tal, nunca fizeram parte da instrução deste processo, o que deve ter sido um alívio enorme para o Rui de Carvalho e a OKC em geral.

A aposta deles sempre foi que a minha geração ficasse calada.

Portanto, tudo indica que o resultado do inquérito em França permitiu à OKC Bélgica disfarçar-se como um centro budista exemplar, com uma pedagogia de educação pioneira e muito à frente do que se fazia nos internatos ou nas escolas privadas de França ou Portugal.

As vítimas falam de abusos no templo do Algarve. Confirma? (resposta da OKC)

O centro budista do Algarve não faz parte da OKC desde 2012. A OKC cessou completamente as suas atividades em Portugal nesse ano. Relativamente às acusações que dizem respeito à questão dos menores, baseiam-se exclusivamente em declarações orais não fundamentadas e que, na sua maioria, não faziam parte do processo. Foram ouvidas pela primeira vez durante as audiências sem que tenha sido possível ouvir testemunhas da defesa. Esta questão já tinha sido averiguada e julgada pelos tribunais franceses, resultando daí uma absolvição, bem como a conclusão expressa de que, ao inverso do que foi afirmado, as crianças eram bem tratadas. É surpreendente constatar que o tribunal não tomou minimamente em consideração nem os inúmeros documentos nem as explicações apresentadas durante as audiências.

Resposta do Ricardo : 

Pois, e porquê? Os responsáveis portugueses, mal souberam dos abusos sexuais e outros casos de maus tratos, voltaram para Portugal e em pouco tempo desmantelaram a OKC Portugal. Quando souberam da verdade os próprios fundadores dos centros em Portugal cessaram a actividade.

Já expliquei porque as acusações que fizemos no julgamento não poderiam fazer “parte do processo”, tendo em consideração que nós estávamos no Algarve e nunca fomos interrogados pela polícia. Em Bruxelas em 1997 na altura dos interrogatórios só estavam poucos jovens e, tanto eles como os seus Pais, contaram todos a mesma história: a maioria deles não conhecia toda a verdade e o facto é que a irmandade à volta do Spatz ameaçava qualquer pessoa dentro da seita que fizesse demasiadas perguntas e transformava todos os factos em argumentos contra as vítimas. Por exemplo o Rui de Carvalho tomou conhecimento muitos anos antes dos factos que ouviu no tribunal em Janeiro de 2016. Factos que foram denunciados muitos anos antes tanto por jovens que tiveram a coragem de enfrentá-lo como por adultos ex-adeptos da OKC que vieram falar com ele e lhe contaram a verdade toda. Ele, também condicionado pela ‘doutrina’, desmentiu todas essas acusações como sendo “rumores de pessoas que tinham tomado drogas e que não eram de confiança.”

Será que nunca passou pela cabeça do Rui de Carvalho que a razão profunda de uma experiência de auto-destruição de alguns de jovens nos anos 2000 estava completa e unicamente relacionada com o nosso passado enterrado debaixo de uma placa de chumbo? Não, o Rui (apesar de ele também ter experiências com drogas pesadas nos anos 60-70)  decidiu ignorar os factos, os alarmes, a verdade relatada por crianças e de jovens que tinham sido educados para serem uma élite e que foram convertidos em “carne para canhão budistas”.  Não, nós nem tínhamos o direito do benefício da dúvida, se nós não aceitávamos aquela educação como sendo exemplar, única no mundo e sobretudo perfeita, então era porque nós éramos um grupo de ingratos que só conseguia revoltar-se contra a mão do Mestre que nos tinha condicionado para nunca, em caso nenhum, pôr em questão o que ele fazia.

Robert Spatz foi expulso da OKC? (resposta da OKC)

O senhor Spatz deixou o cargo de administrador da associação OKC Bélgica em 1991. Manteve-se como membro ordinário da associação, sem funções diretivas até que, há alguns meses, ele pediu para ser temporariamente suspenso de funções até ao final do processo. A OKC não tem um ‘chefe’.

Contra-Informação as mentiras da OKC e do Rui Oliveira

Resposta do Ricardo : 

Quanto a isto o facto é que os adultos/pais da comunidade que resta na Bélgica souberam pela primeira vez o que se tinha realmente passado, quando finalmente conseguiram ler o acto de acusação do Estado Belga contra a OKC/Spatz. Para 90% deles foi a primeira vez que conseguiram pôr a mão em documentos verdadeiros sobre o processo. O facto é que durante mais de 17 anos o Rui isolou-se e esteve a tratar deste assunto sem qualquer envolvimento da comunidade no processo: “Os advogados do Spatz e da OKC é que vão tratar de tudo, nós os adeptos a única coisa que podemos fazer é rezar no templo”.

Quando souberam da verdade, quando souberam que as próprias filhas de alguns dos pais tinham sido abusadas sexualmente, é claro que a roda começou a girar. Perante uma revolta interna e pressionado por pessoas dentro da comunidade, o Spatz  para mostrar ao Tribunal que tinha boa vontade decidiu suspender as suas funções.

Oficialmente a OKC não tem um ‘chefe’, mas o próprio Rui de Carvalho voltou a Espanha depois do Julgamento de 16 de setembro para ir receber ordens do Spatz sobre como organizar-se para a próxima etapa. Tanto o Rui como o Cabé (Presidente e Secretário e mão direita do Spatz) foram a Espanha só para isso: contabilizar quem está com a OKC e o Spatz e quem está contra e como organizar a expulsão daqueles que ousaram desafiar a verdade oficial desta história. Tantas mentiras e sofrimento vão acabar por denegrir o Budismo na Europa.

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